As fases da maternidade e o nosso conhecimento de mundo

28 Nov

Seis meses já se foram...

Algumas pessoas me dizem: "Como passou rápido?" Para mim, parece uma eternidade!

Três meses de muitos enjôos, cansaço extremo e um desânimo sem fim...ufa! Venci pensando: "Pronto! Agora que essa fase ruim passou, vou curtir minha gestação como o médico disse, como minha mãe disse, como minhas amigas disseram...bobagem! Cada pessoa é única e nossas reações são, quase sempre, diferentes!

Entrando no quarto mês de gestação, conheci as tais ocilações de humor! Meu Deeeeeeeeeeeeus!!! A gente vai do 0 ao 100 em fração de segundos! Vi que, SIM, é possível estar feliz, sorrindo e brincando agora e em apenas 5 minutos achar que está em depressão profunda com sensação de que nada faz mais sentido. Tive dias bem difíceis. Dias em que não quis sair de casa, não quis ver ou falar com ninguém e dias em que queria muita gente mas me sentia completamente abandonada.

Para o médico, sinais preocupantes a ponto de me receitar um remedinho natural para dormir melhor (calmante) e também me encaminhar a um psiquiatra! ISSO MESMO...eu, coach, trabalhando com Desenvolvimento Pessoal e Profissional num psiquiatra...pedindo ajuda!!! Mas afinal, qual o problema nisso? O Coaching funciona com gente cuidando de gente! E quem cuida também necessita de cuidados! Mas não foi fácil!

Entre a consulta com o Obstetra e o Psiquiatra, tive dias de pânico! Medo de diagnóstico de depressão seguido de remédios que pudessem de alguma forma me prejudicar e principalmente prejudicar minha filhinha! O psiquiatra bastante cauteloso me disse: "Pelo o histórico eu acredito que tudo isso é hormonal e que irá passar, mas quero acompanhá-la bem de perto. Não vou lhe receitar nenhuma medicação, até porque não existe nada 100% seguro para se tomar durante uma gestação. Quero que você ocupe mais os seus dias, aumente o gasto calórico para dormir melhor, mude sua rotina e procure um terapeuta. Creio que isso já irá te fazer bem!" Saí aliviada do consultório por saber que não estou depressiva e que isso iria passar em breve. Mas continuava me sentindo igual. Em um desses dias de baixo astral profundo, estava no shopping com meu marido e, sentindo algo que eu nunca havia experimentado antes (um misto de vazio, com desespero e uma total falta de controle), "disse" (gritei) ao meu marido: "Me tira daqui! Me tira dessa rotina! Me ajuda!" Ele, calmo que só, disse: "Vou te ajudar...pensarei como!" Alguns minutos depois ele me sugeriu passar alguns dias com uma amiga muito querida e sua família em Portugal. A ideia me soou muito bem, mas eu precisava falar com ela antes...saber dos planos deles e se não os incomodaria!

Ela muito receptiva, falou na hora "VEM LOGO"! E lá fomos nós pesquisar passagens, melhores datas, organizar mala, até que dia 04/11 embarquei! Destino: Amarante - Portugal. No aeroporto de Goiânia, me dei conta que havia esquecido de comprar o tal remédio para dormir! Meu marido disse: "Não precisa comprar mais! Eu tenho certeza que você dormirá muito bem a partir de hoje!" Meio em pânico, aceitei suas palavras e embarcamos, só eu e minha Laura na barriga! Todo mundo dizia a ele: "Você é doido de deixá-la ir sozinha assim, grávida?" Ele, sempre sereno: "Eu não posso nesse momento acompanhá-la e sei que isso fará bem a ela. Ela estará bem amparada!"

Depois de passar por São Paulo, Madrid e Porto...desembarquei no dia 05 em Amarante! Minha amiga querida lá no desembarque me esperando toda feliz por me ver! Coisa boa é ser bem recebida não é mesmo?! Eu tive um tratamento EXTRA VIP...ela e sua família faltavam me carregar no colo do tanto que cuidaram de mim!

Comidinha fresca, conversas intermináveis e um "pequeno estágio" de maternidade, já que ela tem dois filhinhos lindos: a Rafinha com 5 e o Gustavo com 2 aninhos! Acompanhei e vivi a rotina deles intensamente... brinquei com as crianças de desenhar, de boneca, de bola, assisti mil vezes DVDs do Cocoricó, Xuxa Só para Baixinhos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 e conheci o Canal Panda. Recebi muitos conselhos, tirei muitas lições e aprendizados com minha amiga e seu esposo! Ela é de uma sabedoria ímpar e uma mãe muito dedicada... pude aprender tanto com eles nessas duas semanas! E o quanto as crianças também nos ensinam? É incrível como dois seres tão pequeninos são dotados de ensinamentos que creio eu, são ítens que já "vem de fábrica", especialmente quando se trata de simplicidade, alegria com pequenas coisas e gratidão. Criança é o ser mais puro e lindo que existe!

E assim como meu esposo "previu", não precisei tomar remédio em nenhum dia e dormi maravilhosamente bem! Também, não tive ocilações de humor...ao contrário, não me preocupei com nada! Me permiti apenas me divertir com eles e tive dias de muita alegria lá. Voltei pra casa outra...me sentindo leve, tranquila e feliz!

Essa minha amiga me ensinou muito sobre muitas coisas! Vi que ser mãe é muito mais do que gerar filhos. É muita dedicação e em muitas etapas, viver totalmente por eles. Me ensinou também sobre a reciprocidade e que amizade não pode jamais ser uma via de mão única. Amigos de verdade são bons de "escutatória"...se doam de coração e, nos momentos mais difíceis das nossas vidas contamos com bem poucos para nos cuidar...eu que o diga!!! E aprendi com ela também que dizer NÃO a alguém nem sempre é negar alguma coisa ou ser egoísta. Quase sempre quando dizemos SIM para a nossa "mão esquerda", dizemos NÃO para a nossa "mão direita". Só podemos ajudar outra pessoa quando estamos preparados para isso e quando essa pessoa realmente quer ser ajudada. Por isso muitas vezes o NÃO é necessário e dito por amor!

Que especial foi esse tempinho fora! Voltei com o foco ajustado e totalmente direcionado para minha Laura, minha casa (que neste momento passa por algumas reformas...SOCORROOOOOO), meu casamento, minha família e meus poucos, mas verdadeiros amigos. Voltei grata a Deus pela vida dessa família tão querida e que com tanto amor me acolheu, me alegrou e me ensinou!

Esse relato é para mostrar que, ainda que você como eu, esteja numa posição de cuidar do outro...você também precisa de cuidados e não há nada de errado com isso! As vezes é preciso parar para perceber o quanto conhecemos sobre o mundo...sobre as coisas...sobre as pessoas! Uma forma de você representar isso metaforicamente é pensar que, tudo o que a gente conhece está numa ilha e essa ilha é cercada pelo desconhecido. A medida que esse conhecimento vai avançando a partir de novas ferramentas, novas teorias, novas experiências suas e absorvidas de outros...essa ilha vai crescendo e junto com ela vai crescendo também a margem ou fronteira que ela faz com o desconhecido. Ou seja, quanto mais a gente conhece sobre as coisas, mais a gente desconhece também porque mais dúvidas e perguntas surgem! E isso tudo está diretamente ligado com a questão do quanto a gente pode conhecer do mundo, porque o ponto é que, esse "oceano do desconhecido" em princípio é infinito, ou seja, mesmo que o nosso conhecimento aumente, nunca seremos detentores do conhecimento absoluto sobre o mundo. Nós precisamos viver com essa sabedoria de que nunca teremos uma visão completa do mundo, das pessoas ou de si próprio, o que não nos torna menos humanos. Na realidade isso nos torna mais humanos e menos deuses.

Se estiver difícil, peça ajuda....pare, observe, ouça...aprenda com a experiência do outro! Creio que, quando Cristo disse: "Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei!", Ele mencionava um amor assim...que cuida, que ensina, que acolhe...

Seja amor na vida do outro! Mas antes, seja cheio de amor para ter o que oferecer...

Aaaaah como a maternidade inspira e nos sensibiliza!

Juliana Rassi

Formada em Administração de Empresas pelo UNISEB e especialista em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV, Juliana é coach certificada e membro do ICF, honrando, atuando e partilhando do código de ética regido por esta que é uma das mais respeitadas instituições regulamentadoras de Coaching no mundo, desde 2012 com certificações em personal, professional e executive coaching

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