Nasceu uma mãe - Aquilo que não te contaram sobre a maternidade

11 Abr

Finalmente entendi o que meu marido sempre me disse sobre "querer ter o controle de tudo, não é ter o controle de tudo!" Laura estava prevista para nascer entre os dias 10 e 17/03... Ele apostava no dia 06, eu no dia 10 e Deus decidiu nos presentear com ela no dia 02/03 às 09:43 depois de uma longa noite de contrações e desconfortos! Marinheira de primeira viagem que sou, achava que as tais contrações não passava de uma forte dor de barriga (hahahahaha...hoje dá pra rir, mas vou falar pra vocês, achei que estavam me partindo ao meio tamanhas eram as dores). Depois dessa confusão toda e dezenas de choros e contorcidas, liguei para o médico que me disse: "vc está em trabalho de parto. Pq não me ligou antes se quer cesárea?" Eu só disse: "não quis incomodar!" Corremos para a maternidade e depois de todos os procedimentos, finalmente ouvimos o chorinho dela... logo, a pediatra coloca ela aos berros perto de mim que logo se cala. Todos dizem que é o cheiro da mãe...a voz...o recém nascido reconhece e se acalma.

Então, levaram ela de mim para seu primeiro bainho...os primeiros cuidados, enquanto eu era também cuidada, afinal, foi uma cirurgia...muitas camadas para fechar, anestesia...uma série de procedimentos sérios e necessários! "Não levante a cabeça até passar o efeito da anestesia!" - Disse a enfermeira. "Você só poderá comer e beber depois que voltar a sentir os pés!" Pensa na fome que eu estava e a irritação que me deu por causa disso. Mas a gente suporta! Algumas horas depois e chega nossa estrela no quarto chorando de fome...era hora de iniciar algo que eu pensava ser bem mais fácil do que é na realidade: amamentar! Acredito que, no entendimento de todos, dar de mamar é simplesmente oferecer o peito carregado de leite ao neném e este sugar tranquilamente, como a gente vê naquelas belas fotos de propaganda de lojas de bebê. Mera ilusão! São tantos detalhes, meu Deus... primeiro que tudo o que você come vai para o leite, então, já temos que cuidar disso para oferecermos o melhor ao nosso filho. "Você precisa se alimentar bem para que o leite desça e venha forte!" - Diziam TODAS as visitas que recebi. "Coma bastante feijão por conta do ferro, carne, muita verdura, fruta e legumes.." Ok ok...em casa me organizo para isso!

Dois dias na maternidade e então, alta médica! Vamos pra casa com nossa jóia preciosa. Antes, o primeiro banho. Já que a enfermeira estava demorando, resolvemos arriscar...ufa! A pediatra entra no quarto para dar alta para a Laura e faz a gentileza de dar o banho nela por nós...hahahaha...que medo é dar banho em recém nascido: é molinha demais, tem o umbiguinho, ouvido que não pode ir água e um frio imenso que ela sente...tem que ser cuidadoso ao extremo e ao mesmo tempo super rápido! Lá vem o papai com o bebê conforto para irmos para casa. Bebê conforto ou desconforto? Troço esquisito para recém nascido...o bebê fica com uma postura péssima, cabecinha caindo...horrível! Enfim, lar doce lar...e agora, quem cozinhará? Vamos pedir comida porque eu não posso ir para o fogão...estou operada! Vem ele com feijoada...huuuuuuuuum, AMO! Comi bastante feijão, já que todos diziam que seria bom para o leite!

Enquanto isso, Laura dormia lindamente estreando seu bercinho limpo e perfumado! Mais tarde, hora de mamar...ela, faminta, mamando o tal colostro que a gente nem vê de tão pouquinho que é (entretanto, suficiente para ela e repleto de proteção para seu organismo). Algumas horas depois e ela começa a chorar...normal. Afinal de contas, bebês choram mesmo! Minha sábia mãe me disse: "Bebê chora por cinco motivos: fome, dor, colo, frio ou calor!" Então vamos conferir o que há de errado: Calor não é pq ela é friorenta! Frio não é porque está bem agasalhada! Fome também não porque acabou de mamar e até tentei voltar ela para o peito, mas ela não quis! Colo? Claro...é colo! Peguei e não parou de chorar...o pai pegou, idem! Dor? De que meu Deus? Apertei os ouvidinhos e nada! Pensei: Cólica. Mas tão novinha assim? 3 dias e já com cólica? Jesus...e agora? Ela gritava enlouquecidamente. Liga para a pediatra: "é fome! Põe ela no peito que ela para de chorar!" Oi? Como assim fome? Eu já tentei isso e ela não pega...está nervosa...isso é dor! "Liga de novo e fala que colocamos o termômetro nela e ela está com 37,5 de temperatura! Tem alguma coisa errada!" Eu vou lá saber que a temperatura do recém nascido é maior que a do adulto? Pra mim ela estava com febre. A médica já não nos atendeu mais (nunca mais voltamos nela também...que raiva de precisar e a pessoa não ajudar!). 01:30 da manhã e nada dela parar. "Vamos ao hospital da criança ver com o pediatra de plantão o que acontece com ela." E lá vamos nós, pais de primeira viagem, em nossa primeira noite em casa depois de dar a luz, desesperados por não sabermos o que acontecia e uma recém nascida sem nenhuma vacina ainda num hospital só para crianças...meu Deus que loucura! Mas não tinha ninguém lá, graças a Deus! A pediatra disse que a "pega" (tradução: boquinha do bebê no peito) poderia estar errada e ela estar com fome realmente. Me orientou a segurá-la de outra forma, olhou ela todinha e disse para irmos embora tranquilos que poderia ser cólica sim mas estava com mais cara de fome! Em casa ela mamou de novo e dormiu...mas resmungou e se contorceu a noite toda.

No outro dia, a visita diz: "Cuidado com o que você come. Provavelmente é isso que está dando cólica nela. Tire todo leite e derivado de leite, FEIJÃO, tudo de milho porque fermenta, carne vermelha coma pouco, brócolis, repolho, couve flor, açúcar, chocolate..." Enquanto ela falava, eu pensava na pamonha que eu havia comido no almoço e também na canjica de sobremesa...hahahaha...mas me mantive em silêncio para não gerar um alarde maior, enquanto Laura gritava e se contorcia, tadinha! Compramos luftal kids e começamos a dar de 8 em 8 horas...amenizava...mas não resolvia! "Usa funchicória! É natural e é batata...coisa do tempo da sua avó que sempre resolveu!" Nada! "Tenta o colikids que foi ótimo pro meu filho!" Mais uma tentativa frustrada! Os dias foram se passando e eu chorava junto com ela, de tanto que ficava com dó... "Tentou homeopatia? Pro meu filho só deu certo esse! E é natural." Manipulamos...nada! Tudo o que usamos tinha efeito muito rápido. "O melhor remedinho pra cólica chama-se Colic Calm! Ele é importado e caro, mas compensa!" Pedi a uma amiga que vinha para o Brasil agora para trazer pra mim...só dia 05...até lá, vamos tentando tudo (claro, aquilo que for natural pq eu morria de medo dela se intoxicar). "Faz um floral que ajuda!" Fiz...nada! Vem a consulta pediatrica e as primeira vacinas...

Esse breve relato é para dizer que nada nem ninguém nos prepara de fato para a maternidade! E por mais que você tente, meditando, se cuidando, lendo, ouvindo pessoas experiências...é a prática que faz surgir o chamado instinto materno. Isso é INCRÍVEL e maravilhoso! Mas aprender na prática é tenso também!

Por exemplo, eu nem pensei na organização da minha casa a longo prazo antes de dar a luz. Se tivesse pensado, teria feito uma compra grande, com material de limpeza para pelo menos 3 meses e também organizado uma série de comidinhas congeladas. Porque, como é que se faz supermercado com um recém nascido? Eu te conto (pq tive que fazer com meu marido)...entre uma mamada e outra, torcendo para ela dormir e não acordar até retornarmos para casa. Também não organizei as comidinhas...a saída foi contratar um serviço de entrega de marmitex...

É assim, queridos amigos, gente disposta a ajudar tem muito...mas a ajuda que oferecem é com o bebê. Querem dar banho, ninar, olhar e ficar com ele enquanto você, operada, lava roupas, arruma a casa e cozinha. Ninguém entende que ajuda de verdade é se oferecer para colocar as roupas na maquina pra você ou organizar o almoço ou ainda, ir ao supermercado pra você. Não! Isso não querem fazer ou nem pensam em oferecer.

Mas a gente vai aprendendo COM A PRÁTICA!

Fora a baixa hormonal que ocorre! Ao dar a luz e "arrancarem" de você a placenta, junto dela também se vão os hormônios da maternidade. A mulher PIRA! Entendi finalmente porque 1 em 4 mulheres sofrem de depressão pós parto! Primeiro que a gente se sente horrorosa. Eu me questionava o tempo todo: "será que a minha barriga vai ficar assim pra sempre? Minha pele? Meu cabelo? Meus peitos enormes vão voltar ao tamanho normal?" Chora sem motivos! Eu chorava 24 horas na primeira semana e meu marido, preocupado, perguntava o porque...eu dizia que não sabia porque estava chorando, só que sentia vontade. Daí ele dizia: "quando sentir vontade, olha para o fruto do nosso amor..." Aí é que eu chorava mesmo! Hahahahaha...a louca da cara inchada! E a solidão que sentimos? A mãe pode estar cercada de gente (que veio pra ver o bebê e não ela, diga-se de passagem) que se sente totalmente sozinha no mundo. Uma sensação de incapacidade, um medo pelo tanto de coisas que ouve...o tanto de "conselhos" das visitas. Além disso, para alguém que sempre foi super ativa, ligada no 220w e o tempo todo pra lá e pra cá, ficar 24h dentro de casa por dias é pedir para se deprimir mesmo! Cansa...cansa muito!

E o bebê chora...os dias vão se passando...e o bebê chora...as visitas vão diminuindo...e o bebê chora...e você vê que é você e você com aquele serzinho totalmente indefeso e 100% dependente de você, até para respirar...e o bebê continua chorando..."essa é a comunicação dela!" Diz a pediatra, me "animando" muito!

Meu marido, graças a Deus, me ajuda bastante. Mas homem é homem em qualquer situação né?! Ajuda muito mas com aquilo que quer fazer e na hora que quer também. O grosso mesmo é com a mãe...afinal, é ela que fica o dia inteiro com a neném para que ele vá trabalhar. Então, ele a vê acordando e depois a noite por algumas horas (claro, as madrugadas em claro são compartilhadas também), mas durante o dia areja a cabeça se ocupando com outras coisas do trabalho...

Enquanto isso, com 20 dias de nascida, eu já aceito atender minha primeira cliente depois do parto! Pergunte-me COMO? Com que cabeça consigo cuidar da Laura, da casa, do marido e ainda trabalhar auxiliando as pessoas? Não sei! Só sei que Deus é que nos fortalece viu! Porque tem dias em que acordo e penso que não vou conseguir...aí vem uma força divina que me faz olhar pra ela ali, tão linda e cheirosinha...e assim sigo em frente! Difícil? MUITO! Mas se me perguntarem: "Você faria de novo? Teria outro filho?" Minha resposta é SIM! Me organizaria e me prepararia melhor, dessa vez. Mas digo que o que mais atrapalha, não é a criança ou a rotina estressante em si...o que mais atrapalha são os tais conselhos e palpites...é isso que mais esgota a gente e nos faz repensar o fator ter outro ou não!

Nesse primeiro mês aprendi uma série de coisas, como contei aqui...porém desenvolvi uma série de outras habilidades também, como tomar banho em segundos enquanto ela dorme; lavar a cabeça com shampoo que arde e os olhos abertos pra observá-la sob a cama; almoçar em 4 minutos e as vezes em pé; descascar banana e preparar o café da manhã com uma única mão porque a outra está ocupada segurando a neném. Aprendi que em alguns dias, escovar os dentes será um luxo e que paciência é um dom que é preciso pedir a cada segundo a Deus para dar conta do recado. Mas aprendi também que não existe um cheirinho melhor do que o dela; que o olhar penetrante dela ao ser amamentada é único e que niná-la até ela dormir no colo, mesmo que a coluna queime, é a melhor coisa do mundo!

A gente se sente impotente, temerosa e insegura...no entanto, Deus nos capacita para dar conta de tudo sem errar...ser mãe é isso! É dar conta de tudo. Mulher Maravilha? Batgirl? Que nada...super heroínas mesmo são as mães...1001 utilidades, que procuram se entender sozinhas e ainda mantém o melhor sorriso, mesmo cansadas e sobrecarregadas.

Ah, mais um detalhe: TUDO ISSO PASSA... graças a Deus passa! O que ficam são só os aprendizados...e saudades de muitos momentos também!!!

Aqui nasceu minha Laura e a mamãe Ju.

PS: Gastei 34 dias para escrever esse artigo...mas consegui! A rotina é árdua, mas tudo é questão de prioridades!

Juliana Rassi

Formada em Administração de Empresas pelo UNISEB e especialista em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV, Juliana é coach certificada e membro do ICF, honrando, atuando e partilhando do código de ética regido por esta que é uma das mais respeitadas instituições regulamentadoras de Coaching no mundo, desde 2012 com certificações em personal, professional e executive coaching

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